Eu tentei, procurei seguir em frente, continuei mais um pouco
Subi no alto de um monte me pus a refletir
Fugir do mundo não funciona nos tempos atuais
Eles ouvem seus pensamentos, não podemos escapar
A navalha que carregam é mais profunda e vai alem
Eu caminhei até o topo para ver o recomeço
O que vi dali de cima me assombrou o coração
Cada fibra em mim tremia e rejeitava tal visão
Como posso eu suportar tamanha alucinação?
Encontro-me agora aqui nas portas do inferno
Arrancou-me a inocência, o valor pela indecência
Foram trocados sem piedade e eu não poderia suportar
Querido Pai, não chore por mim
Eu tentei comprar o céu e o respeito que não merecia
Procurei lava os meus pecados a base de injustiças
A minha alma eu vendi em um leilão capitalista
Quem eu sou já não compreendo bem
A estrada para o oeste tenho medo de enxergar
Como sair? Como libertar-me quando não há escapatória?
Quando eu era jovem carregava em mim a áurea pura
Meus imaculados olhos vislumbravam a natureza
Eu subia aquela colina, após os campos do poente
A grama verde tocava-me os pés, sentia na terra o aroma quente
E lá do topo eu via ao longe arvores douradas a dançar
Banhadas pelo sol e a brisa trazida do mar
Ventos frios do outono e o cheiro doce da primavera
Como era belo este lugar, e nela eu estarei com ela
Sempre quis naquele vale um dia caminhar
Poder ao menos um dia estar em outro lugar
Então eu saí porta a fora, sei bem que algo perigoso
Amada Mãe, não chore por mim
Meu caminho é duvidoso e eu desconheço do meu fim
Não sei quais histórias contarei quando a jornada terminar
Espero ao menos um dia poder apenas retornar
Nunca fui lúcido das ações e nos pensamentos eu me perdia
Desejo apenas em minha vida poder rever-te um outro dia
Agora aqui então espero o temido julgamento
Ah quantas perguntas seriam feitas nesse momento
Chegou a hora de mostrar-me o futuro e o declínio
Perecer em fogo e gelo ou definhar no escuro abismo
Meu destino para onde vai? Qual será a sensação?
Suportarei o meu castigo se mantiverem a solidão
Então eu fui surpreendido com tais palavras gentis:
“Meu jovem ainda não estas perdido, sua alma aqui ecoa”
Coração limpo a liberdade, céu e inferno a vida solene entoa
Senhores dos antigos navios, sua canção eu vou entoar
Eu tenho um caminho que vai alem dos mares
Montanhas e vales quero explorar
Deram-me outra chance reanimaram em mim a chance mais uma vez
Seguir adiante, fazer meu sonho tornar-se realidade
Fazer a verdade acontecer
Temer tornou-se uma palavra longínqua
Agora um fogo brande em meu coração
Sem perder a coragem, e necessidade
Eu vou tendo a bravura em minhas mãos